Vida e Missão neste chão

Bem-vindos/as em Açailândia! Somos irmãos missionários, religiosos e leigos/a, caminhando com o povo maranhense. Ser padre aqui significa assumir os desafios e os sonhos das pessoas e da natureza que geme nas dores de um parto. Esse blog é uma tentativa de partilhar a caminhada e levantar perguntas: o que significa missão hoje? Onde mora Deus?
Vamos dialogar sobre isso. Forte abraço!
E-mail: padredario@gmail.com; Foto: Marcelo Cruz

mercoledì 4 agosto 2010

Perfume de ressurreição

Se você fosse visitar Açailândia (MA) algumas semanas atrás, iria lhe acompanhar até lá na Vila Maranhão, numa casa cheia de crianças, ao redor de um pequeno corpo sem vida.
Poucas semanas atrás, minha cidade chorava por mais um caso de negligência médica que levou a óbito a nenê Alice.

Mas se você viesse hoje, te levaria numa casa cheia de gente reivindicando seus direitos.
José e Aline, pais da pequena Alice, estavam lá, ainda muito emocionados, mas com vontade de falar, gritar sua raiva, exigir respeito e justiça para com todas as vítimas!

Casa de lei, a Câmara Municipal hospedou hoje a audiência de instalação da Defensoria Pública. E a palavra foi para quem há muito tempo ficou em silêncio.
Ivone falou de sua casa à beira do buraco e da família de amigos e vizinhos seus, que amanheceram um dia sem teto e tiveram que abandonar Açailândia.
Elisângela lamentou a humilhação que sofrem os doentes que precisam de exames médicos: noites inteiras de vigília, na rua em fila um atrás do outro esperando conseguir uma das quinze fichas mensais distribuídas na manhã seguinte.
Albino, no meio de tudo isso, fez questão de falar em nome do grupo “Rede de Cidadania”, cujo compromisso é exatamente a participação e o controle social.

Por uma vez, naquela Casa de Leis, a fala dessas pessoas pautou a agenda das autoridades.
Na total ausência de vereadores ou do poder executivo, a defensoria ficou escutando e assumiu um compromisso solene: servir ao povo a partir daquilo que ele pede e necessita.
As entidades e movimentos da sociedade civil estavam presentes, celebrando uma vitória e lamentando sua demora, depois de dez anos de luta batendo na tecla da garantia dos direitos dos pequenos. Com certeza irão acompanhar e monitorar a realização do que hoje ficou prometido.

Como igreja católica sentimos, nesses momentos, perfume de ressurreição.
A morte chega violenta e improvisa, faz barulho e ocupa as primeiras páginas dos jornais. Mas quando os pequenos se organizam, têm a coragem de se expor publicamente, solidarizam um com o outro e pautam a agenda política de uma cidade... isso, sim, é vida que ressuscita!

Deus dança no meio desse povo, de mãos dadas com a pequena Alice e com todas as vítimas: a negligência e a hipocrisia podem matar, mas a fé e a resistência da gente não morre não. Seguimos, portanto, espalhando sementes de ressurreição!

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