Vida e Missão neste chão

Bem-vindos/as em Açailândia! Somos irmãos missionários, religiosos e leigos/a, caminhando com o povo maranhense. Ser padre aqui significa assumir os desafios e os sonhos das pessoas e da natureza que geme nas dores de um parto. Esse blog é uma tentativa de partilhar a caminhada e levantar perguntas: o que significa missão hoje? Onde mora Deus?
Vamos dialogar sobre isso. Forte abraço!
E-mail: padredario@gmail.com; Foto: Marcelo Cruz

giovedì 29 ottobre 2009

Ao mercado dos sonhos, a Vale perde cotações

Vivo em Açailândia, Maranhão. Dizem que é uma terra abençoada pelo desenvolvimento, mas nesses meses de crise nosso povo também está migrando, cada vez mais para oeste. Muitos tentam a sorte em Marabá ou Parauapebas, a casa da Vale.
Estivemos lá para tentar entender porque nosso povo se muda para aquelas regiões, em busca de que, com que sonhos... e que resultados.

Parauapebas cresce a cada três dias, quando chega o trem passageiros da Vale. Das pessoas que descem cada vez, uma média de 40 veio já convencido de ficar, enquanto um número bem maior irá pesquisar e, provavelmente, permanecer.
Assim, a cidade cresce com um ritmo de 22% ao ano, mais do que a China!
Logo um dado esclarece quem foi que chamou todo esse povo: nos últimos 12 meses a Vale gastou R$ 178,8 milhões em publicidade. Uma propaganda que dá orgulho ao Brasil, mas ilusão para muitos sonhadores em busca de trabalho e vida!

Onde é semeado o sonho de quem vem a Parauapebas em busca de futuro? Nos primeiros 10-20 dias o povo fica em casa de amigos ou parentes; logo depois muda para bairros de invasão, nas periferias. Fomos lá: morros enlameados com dezenas de casas penduradas até o próximo inverno, quando com certeza muitas irão cair. Palafitas unidas por pontes de madeira podre, em cima de água parada onde o povo faz também suas necessidades. Poços de água rasa que pescam da mesma fonte onde há descargas...

Há muito dinheiro pelas royalties da Vale nesse município. A administração precisa aplicá-lo com respeito e prioridade absoluta para com esses últimos da terra.
Há muito brilho na imagem da Vale. A empresa precisa se ocupar mais desse povo, que tem mais valor de qualquer minério ou projeto de desenvolvimento.

giovedì 15 ottobre 2009

Servos sim, escravos não!

“Escravo nem Pensar!” foi o lema que trouxe uma centena de lideranças até Açailândia (MA). Era a caravana interestadual contra o trabalho escravo, atualização bem arquitetada da escravidão do passado.
O evangelho desse domingo, porém, traz palavras aparentemente contraditórias: “Quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos”.
A história da Bíblia inteira é uma longa e teimosa caminhada pela libertação de um povo escravo; o próprio Jesus assumiu isto como cerne de sua vida: “O Espírito do Senhor está sobre mim, (…) enviou-me para proclamar a libertação aos presos, (…) para libertar os oprimidos” (Lc 4).
Por que, então, Jesus usa essas palavras hoje?

Estamos no momento mais difícil da vida de Jesus: ele acabou de anunciar por três vezes que será preso, torturado, condenado e morto. O Senhor está buscando apoio dos seus discípulos; nesse momento de fragilidade, precisa que o grupo permaneça muito unido ao seu redor.
Ao contrário, mais uma vez Jesus descobre que a conversa dos discípulos é bem outra: sentindo que se aproxima o momento final, em que o Cristo se manifestará como rei da história, os doze querem se garantir um pedaço dessa história e reinado. Quem é o maior? Quem terá direito de governar com o Messias? Quem pode ficar à direita e esquerda dele?

Nesse momento delicado, Jesus percebe não só que está sozinho, sem a compreensão dos outros, mas também que até agora não conseguiu ensinar nada aos doze: eles continuam na lógica do poder, da opressão e da competição.
Não adianta continuar a falar em palavras, o único jeito para que eles entendam é ir até às últimas consequências de sua atitude de Serviço à Vida.
Com paciência, Jesus repete o centro de sua mensagem de vida: “O Filho do Homem veio para servir e dar a sua vida”.
O esforço constante de Jesus é para que nós entendamos a diferença entre servo e escravo. Somos chamados a ser servos da vida, para que nunca mais haja escravidão!
O servo é aquele que se coloca por último, ao lado dos mais excluídos, sem que ninguém fique debaixo dele. Daquele ponto de vista, o servo entende quanto seja necessária a libertação dos escravos, das vítimas de muitas formas de opressão.
Servir é uma opção de vida: em qualquer momento, em qualquer lugar, eu assumo a posição dos menores, dos mais fracos. Falo, penso e decido a partir da situação de vida deles. Tenho a coragem de chegar até as últimas consequências com eles.
“O que quereis que eu faça?”, pergunta Jesus. Cabe a nós responder se queremos um Deus que nos promova e se ocupe só da gente, ou se somamos com um Deus preocupado para que todos tenham vida, e vida plena!