Vida e Missão neste chão

Uma vida em Açailândia (MA), agora itinerante por todo o Brasil...
Tentando assumir os desafios e os sonhos das pessoas e da natureza que geme nas dores de um parto. Esse blog para partilhar a caminhada e levantar perguntas: o que significa missão hoje? Onde mora Deus?
Vamos dialogar sobre isso. Forte abraço!
E-mail: padredario@gmail.com; Twitter:
@dariocombo; Foto: Marcelo Cruz

mercoledì 17 febbraio 2010

Quaresma: o que NÃO fazer?

Assim chegou mais uma quaresma...
De certa forma, é até fácil prefixar e delimitar o tempo da quaresma, decidindo em que momento do ano vai chegar e quanto vai demorar.
Até conseguimos colocá-la na moldura do carnaval e das festas da Páscoa, adoçando assim o sabor amargo desse tempo ‘enxuto’.
A quaresma é caminho ritual de escuta interior, num clima austero de deserto.
Esse ritmo na vida da gente é importante, ajuda a afastar-se da correria e da folia das muitas coisas.

Mas a quaresma verdadeira, aquela mais concreta que pega na carne da gente, é bem outra coisa: tempo de fome, vazio interior, drama e escuridão da existência, quando não enxergamos saídas e desejamos ardentemente ressurreição e luz.
Por exemplo, esse domingo 21 de fevereiro, primeiro de quaresma, é também 25º aniversário da morte (por crucifixão!) dos camponeses de Xeatzan, vítimas da perseguição na Guatemala.
E nesse tempo do ano experimentamos com ainda mais rigor, nas periferias do Brasil, as conseqüências da crise: agora o auxílio desemprego terminou, por muitos ex-trabalhadores!
Até a própria natureza está atravessando um seu tempo de quaresma, condenada à penitência pela humanidade gananciosa, que já declarou sua condenação à morte.

Esses (e muitos outros) são os desertos reais da vida, que nos deixam sem respostas, apavorados, numa espera urgente e difícil por ressurreição.
È preciso acolher também essas etapas da vida, pois a Palavra nos garante que elas têm um término, um limite além do qual encontraremos de novo a luz e que alcançaremos de mãos dadas com Jesus, irmão e companheiro dos sofredores.
É possível, ainda hoje, passar da morte à vida, da violência a um equilíbrio renovado entre todas as criaturas.

O evangelho desse domingo nos diz como NÃO funciona. Caberá depois ao resto da quaresma indicar caminhos eficazes de restauração da esperança.
Como não devemos preparar a Páscoa? Com o estilo consagrado pelos poderosos (o próprio diabo é considerado pelo evangelho como o dono do poder).

Há alguns instrumentos que desde sempre iludiram as massas e que Jesus rejeita definitivamente:

- transformar as pedras em pão.
Dedicamos esse versículo a uma das operadoras mais famosas dessa façanha: a Vale do Rio Doce. A mineradora (segunda mais poderosa do mundo) proclama acima de todos os telhados sua missão milagrosa, que fará ressuscitar o povo amazônida e nordestino.
Pena que as pedras preciosas extraídas de nossa terra se tornam pão quase exclusivamente para os acionistas e administradores dos níveis mais altos. Há pão em abundância, mas para poucos: isso não é Páscoa.

- conseguir o poder no meio do bloco carnavalesco dos políticos atuais.
Nesse ano eleitoral, como fazer ressuscitar a política, enquanto muitos ‘diabos’ ainda aspiram aos lugares mais altos, se prostram e se vendem aceitando qualquer condição?
Mais do que dentro dos partidos, precisamos urgentemente preparar a Páscoa com um controle social bem organizado e a participação responsável: ressuscite a honestidade!

- fazer da religião um espaço de milagres.
Até a igreja pode ‘satanizar-se’, se cair na tentação de buscar os milagres e a visibilidade, que ilude as pessoas e conquista as massas com rituais exteriores e eventos chamativos.
Que bonito, ao contrário, preparar a Páscoa a cada ano através do itinerário exigente e comprometido da Campanha da Fraternidade! Não se trata somente de uma coleta: é diálogo corajoso com a sociedade, enfrentando juntos as contradições e compondo o mosaico do Reino de Deus na terra! Quantas comunidades fazem da CF seu itinerário de vida e compromisso ao longo do ano inteiro?

Nosso mundo atravessa uma quaresma difícil e globalizada: crise econômica, ecológica e ética. Os quarenta dias de oração, reflexão e compromisso que se abrem nos ajudem a buscar, com Deus e os irmãos/as de boa vontade, saídas rumo à ressurreição.

Nessun commento: