Vida e Missão neste chão

Bem-vindos/as em Açailândia! Somos irmãos missionários, religiosos e leigos/a, caminhando com o povo maranhense. Ser padre aqui significa assumir os desafios e os sonhos das pessoas e da natureza que geme nas dores de um parto. Esse blog é uma tentativa de partilhar a caminhada e levantar perguntas: o que significa missão hoje? Onde mora Deus?
Vamos dialogar sobre isso. Forte abraço!
E-mail: padredario@gmail.com; Foto: Marcelo Cruz

venerdì 19 febbraio 2016

De Comboni aos combonianos: ainda pulsa o sonho?



Por que Daniel Comboni é considerado um profeta para África? Qual o legado que esse grande missionário deixa para nossa igreja? 
O que podemos aprender dele para responder ao grito da humanidade de hoje?
Tentemos juntos responder a essas perguntas, que se tornam também uma oportunidade para verificar se os filhos de Comboni, Missionários e Missionárias Combonianos, estão sendo fieis à sua profecia, aqui no Brasil, 150 anos depois.

Salvar a África com a África
Comboni viveu num contexto de exploração e saque do inteiro continente africano por parte das grandes potências europeias. Um contexto de colonização, garantido pelo poder das armas e alimentado pela prática da escravatura. 
A própria igreja, além de ser em diversos casos diretamente cúmplice desse sistema de dominação, frequentemente considerava a evangelização como uma prática redentora de culturas ainda não desenvolvidas. Salvar essas culturas e pessoas significava trazê-las para o cristianismo e garantir-lhes, assim, o favor de Deus. 

Comboni e outros grandes missionários da época, apesar de serem em muitos tratos filhos de seu tempo, entendem o verbo ‘salvar’ na conjugação ao tempo presente.
Não se trata só de alcançar uma morada no céu, mas de defender a vida na terra.
Por isso, o fundador de Missionários/as Combonianos trabalhou intensamente no resgate dos escravos e organizou seu trabalho missionário a partir de um Plano para a Regeneração da África. 
Esse Plano tinha como estratégia principal a educação, investindo em escolas de formação e universidades que capacitassem os próprios africanos a serem protagonistas de sua história de libertação.
Ainda hoje, na África, Comboni é amado e respeitado como “um homem que acreditou em nós: ele é um de nós”.

Os combonianos no Brasil ainda acreditam nesse princípio essencial da missão. Hoje podemos chamá-lo de empoderamento popular, ou, em chave pastoral, de ministerialidade.
Acreditamos que a vida da igreja está nas mãos de muitos ministros, leigas e leigos que mergulham na vida do povo e o servem através das diversas pastorais, nas comunidades eclesiais de base. Enfrentamos cotidianamente o desafio de ‘reinventar’ uma igreja ministerial, já que, em muitos casos, nesse tempo eclesial tende-se a esvaziar o papel dos leigos e das mulheres, verticalizando a dinâmica do poder, empobrecendo o protagonismo das pessoas e valorizando o fenômeno religioso dos eventos de massa, onde se perdem os vínculos comunitários.

Nessun commento: