Vida e Missão neste chão

Bem-vindos/as em Açailândia! Somos irmãos missionários, religiosos e leigos/a, caminhando com o povo maranhense. Ser padre aqui significa assumir os desafios e os sonhos das pessoas e da natureza que geme nas dores de um parto. Esse blog é uma tentativa de partilhar a caminhada e levantar perguntas: o que significa missão hoje? Onde mora Deus?
Vamos dialogar sobre isso. Forte abraço!
E-mail: padredario@gmail.com; Foto: Marcelo Cruz

venerdì 3 gennaio 2014

Um presepe maranhense

O que acontece em volta do estábulo onde Jesus nasceu?
O evangelho de Mateus narra uma visita importante: estrangeiros chamados ‘Magos’, vindo de longe com ricos dons.
Lucas, ao contrário, se refere a pobres pastores desprezados pelo povo de Israel, homens errantes e sem casa, pois moravam com seus próprios animais. São os primeiros a visitar e reconhecer o Filho de Deus.

Fiquei pensando nas personagem que habitaram meu Natal maranhense. Se parecem muito mais com os pastores do que com os Magos.

Cláudio foi preso novamente. Depois de um longo período de cadeia, parecia estar se recuperando, nos visitava em casa com frequência e fez uma grande amizade com padre Pedro. Custava a encontrar trabalho, mas afinal conseguiu. Andava habitualmente mão na mão com seu pequeno filho, que parecia ser seu orgulho e seu motivo de vida.
De madrugada encontraram o corpo de sua companheira, abandonado no mato à beira da rodovia. Cláudio jura que é inocente; ninguém nunca saberá exatamente o que houve, pois não foi feita a mínima investigação.
Enquanto todos esperávamos o nascimento na noite luminosa e barulhenta de Natal, ele e muitos outros atrás das grades esperam demoradamente uma decisão do juiz no mofo e mal cheiro da superlotação.
A Pastoral Carcerária, como pastores anônimos e muitas vezes sem poder, os visita e os reconhece filhos de Deus. É o mínimo com que começar.

Judite mora no quilombo S. Rosa dos Pretos. O marido a abandonou, tem dois filhos que estudam à noite, junto com os adultos, porque -como no caso de Jesus- não havia vagas para eles na escola durante o dia.
A menor sofre de crises de asma, mas Judite não tem como cuidar dela: trabalha como doméstica na casa de uma outra pessoa, na cidade vizinha. Doze horas por dia, de segunda a sábado, ganhando o vergonhoso ‘salário’ de trezentos reais!
Como Maria e José, Judite não teria um cordeiro para apresentar o filho ao Templo em ação de graças e deveria contentar-se de dois pombinhos. Mas seria outra ‘viúva-de-marido-vivo’ com todo direito de aborrecer a justiça pelas condições em que está forçada a viver.

Tiago migrou a três anos de Itapecuru para Uberlândia, Minas Gerais. É pedreiro, lá. Foi o primeiro a deixar a cidade em busca de trabalho, mas vários outros de Itapecuru o imitaram. Nessa noite perto do Natal está de volta: como todos os anos, quer participar do Tambor de Mina na Tenda de Nossa Senhora dos Navegantes.
Mãe Severina o curou, antes de partir, e agora não toma mais nem uma gota de cachaça. Como os Magos, em ação de graças, traz de volta todo ano sua vida, bate com força nos tambores que animam a dança dos encantados, vibra no sonho de voltar para ficar, porque aqui estão as raízes de sua vida.

Francisco passou o ano a escrever, pois nesse Natal a humanidade precisava de uma luz e de um canto novo. Nos deixou de presente sua primeira Carta, “A alegria do Evangelho”, que deseja uma igreja pobre para os pobres. Diz que os pequenos deveriam se sentir “em casa” em cada comunidade cristã.

Quem habita nossas casas e presepes, nesse e em todos os tempos de Natal?


Obs: os nomes das pessoas citadas –com exceção do último- foram modificados por respeito à sua identidade

1 commento:

Paolo ha detto...

cari auguri da tutta la tribù