Vida e Missão neste chão

Bem-vindos/as em Açailândia! Somos irmãos missionários, religiosos e leigos/a, caminhando com o povo maranhense. Ser padre aqui significa assumir os desafios e os sonhos das pessoas e da natureza que geme nas dores de um parto. Esse blog é uma tentativa de partilhar a caminhada e levantar perguntas: o que significa missão hoje? Onde mora Deus?
Vamos dialogar sobre isso. Forte abraço!
E-mail: padredario@gmail.com; Foto: Marcelo Cruz

lunedì 1 aprile 2013

Um fórum com o sabor da Páscoa e do martírio


Já è tradição, em ocasião do Fórum Social Mundial: também as missionárias e os missionários combonianos participam, oferecem suas propostas e ideias, se encontram para compreender os novos caminhos da missão.

Nesse ano, pareceu-nos uma contradição a convocação do Fórum em Túnis bem nos dias da Páscoa: temíamos de perder a intensidade da semana santa. Ao contrário, recebemos de presente páginas de vida escritas com o sabor do martírio e da ressurreição.

Começamos nosso encontro em terra magrebina exatamente no dia da memória dos mártires de Tibhirine: sete monges que não quiseram abandonar o povo algeriano nos dias da revolta fundamentalista do ‘96.
Concluímos sete dias de reflexão, articulações, estratégias e compromissos rezando no local onde duas mártires da primeira igreja cristã tunisina foram mortas: Perpétua e Felícita, que consideravam seu martírio como “o grito de um outro”, o Crucificado. E nós, na arena do sacrifício delas, renovamos nosso compromisso absoluto de sermos grito de muitas vítimas da injustiça.

Há uma carga espiritual em muitas pessoas que participam do fórum. Na última edição, uma pesquisa levantou que 70% dos participantes reconhecem que seu compromisso por justiça e paz está enraizado na espiritualidade.
Também como missionárias e missionários sentimo-nos confirmados na busca do vento do Espírito que assopra através desses movimentos. Encontramos ao Fórum segmentos interessantes de nossa igreja, presente de forma ainda desarticulada, mas ativa e em caminho.

Para não nos perder no vaivém de propostas e no pluralismo de ideais e lutas, era preciso afirmar em nós, a cada momento, duas atitudes chave que foram do próprio Jesus de Nazaré: ouvidos atentos ao diálogo e corações agarrados aos pobres.

Nesse contexto, os três dias da Páscoa adquiriram um novo sabor.
Na quinta-feira santa Jesus divide o pão e faz memória da vida inteira partilhada com os discípulos. 
Nós também, ao longo desses dias, procuramos uns aos outros, querendo partilhar nossas vidas e aprender humildemente das experiências alheias. Os próprios discípulos, afinal, viveram essa busca permanente de sentido, na incerteza quanto à missão que os esperava.
Durante o Fórum, encontramos uma nova definição de AGAPE: Alternative Globalization Adressing People and Earth. Essa globalização alternativa, atenta às pessoas e à terra, é um dos novos nomes do cenáculo onde todos podemos nos encontrar.

Sexta-feira santa é dia de derrota e de morte. Ressoam em nós situações aparentemente irresolvíveis, como o conflito entre Israel e Palestina, absurdamente injustas, como a guerra para o controle dos bens comuns no Mali, ou preocupantes pelo clamor de amigos/as missionários que estão sofrendo na pele, como o recente golpe de estado no Centráfrica. A agressão ambiental global é como um avião que está decolando, diz Leonardo Boff: já passamos o ponto limite, não dá mais para parar. Ou o avião levanta voo, mudando radicalmente modelo de vida, economia e finança, ou acabaremos nos destruindo de vez.

A noite de sábado santo não é uma vitória arrasadora da vida sobre a morte. Encontramos, isso sim, pequenos sinais que nos deixam entender que há esperança. São, por exemplo, os sonhos desse simples grupo de missionários: mais inseridos, mais simples, mais radicais na prioridade do serviço de Justiça, Paz e Cuidado para com a Criação. Outro sinal é a primavera árabe, que respiramos um pouco. Outro ainda a amizade profunda de quem está comprometido pela vida e se reconhece na luta do outro.

Dizer “outro mundo é possível” é outra forma de afirmar que “Cristo está vivo no meio de nós”: duas maneiras de testemunhar a ressurreição e prepará-la, de novo, nas estradas de nossos povos e na memória de nossos mártires. 

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