Vida e Missão neste chão

Bem-vindos/as em Açailândia! Somos irmãos missionários, religiosos e leigos/a, caminhando com o povo maranhense. Ser padre aqui significa assumir os desafios e os sonhos das pessoas e da natureza que geme nas dores de um parto. Esse blog é uma tentativa de partilhar a caminhada e levantar perguntas: o que significa missão hoje? Onde mora Deus?
Vamos dialogar sobre isso. Forte abraço!
E-mail: padredario@gmail.com; Foto: Marcelo Cruz

mercoledì 16 settembre 2009

O que passa em teu coração?

Comentário ao trecho de
Mc 9, 30-37


Às vezes ficamos por horas na parada do ônibus, na fila do banco ou do posto de saúde; nesses casos, me invade a tentação de passear pelas cabeças e os corações de todas aquelas pessoas juntas no mesmo lugar.
O que estão pensando? O que estão sentindo?

Com certeza deve ter um emaranhado de paixões, projetos, medos, fragilidades, esperanças... muito disso permanece fechado dentro de cada indivíduo, inexpresso e confuso.

Numa certa altura, no evangelho de Marcos, Jesus sente a necessidade de isolar-se com seus amigos e amigas e aprofundar as relações dentro do grupo, com uma releitura dos acontecimentos vividos até o momento.
Ele não queria que ninguém soubesse para onde iam, pois era preciso dar um passo mais fundo nas motivações que animavam cada companheiro/a de caminhada.
Isso também se faz necessário para cada um: exigir de nós mesmos o tempo e as condições para sair um momento da história de vida e de luta e nos perguntar: “Por que estou fazendo tudo isso?”

Marcos também para e observa o grupo que caminha, descrevendo o que cada pessoa sente e pensa em seu profundo.
De um lado temos Jesus, pressentindo o futuro, intuindo para onde leva sua radicalidade de atitudes e palavras. O mestre tem uma visão histórica e ampla da situação, sabe interpretar os eventos.
Em seu caminho não perde a sensibilidade do dia-a-dia, a atenção para com os companheiros, mas também mantém os olhos fixos sobre o horizonte e enxerga com clareza os objetivos e o itinerário necessário.
Orienta-se no labirinto das diversas possibilidades, compreende o sentido de suas escolhas e define o que quer na vida, até o fim. Sabe que, se for fiel aos valores assumidos desde o começo, a morte não será a última palavra: “o Filho do Homem ressuscitará”. Esse estilo de vida, esse jeito de ser radicalmente humano e decidido não pode morrer: vai ser entregue em herança aos discípulos.

Já, os discípulos... Marcos presta atenção também ao que passa no coração deles, durante a caminhada. Os pensamentos deles são bem mais limitados e de curto alcance: “quem é o maior entre nós?”
Há um abismo entre a visão lúcida, cheia de esperança de Jesus e as “curtas paixões” dos discípulos. Eles procuram interesses instantâneos, não orientam suas escolhas a partir de valores maiores, buscam sucesso, apreciação, crescimento rápido e retorno imediato.
Que contraste! Não é contraste entre Deus e os homens e mulheres: são duas propostas diferentes de conduzir nossa caminhada histórica, bem aqui na terra!
Cabe a nós construir passo a passo uma vida pautada por grandes horizontes, alimentada por uma leitura sábia e experiente da existência, ou... deixar-nos conduzir pelas curtas paixões que satisfazem somente a fome de cada dia.

Às vezes, olhando para a invasão do dito 'progresso' de nossas regiões no norte do Brasil, vejo quanto isso se parece ao pensamento pobre e imediato dos discípulos: suas palavras de ordem são crescimento, sucesso, lucro, mais e mais. Jesus nos alerta que não é esse o caminho que garante a vida e a ressurreição.

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