Vida e Missão neste chão

Bem-vindos/as em Açailândia! Somos irmãos missionários, religiosos e leigos/a, caminhando com o povo maranhense. Ser padre aqui significa assumir os desafios e os sonhos das pessoas e da natureza que geme nas dores de um parto. Esse blog é uma tentativa de partilhar a caminhada e levantar perguntas: o que significa missão hoje? Onde mora Deus?
Vamos dialogar sobre isso. Forte abraço!
E-mail: padredario@gmail.com; Foto: Marcelo Cruz

martedì 14 ottobre 2008

Economia a imagem de Deus



Queda das bolsas, insegurança financeira global, instabilidade e recessão...
Bem no meio desse clima de medo e da crise do sistema econômico, Jesus no Evangelho fala do dinheiro.
Fariseus e herodianos perguntam a ele se é permitido pagar o imposto a César. A própria pergunta expressa um conflito grande da época: o povo, especialmente os mais pobres, pagava 4 tributos diferentes ao opressor romano e ao sistema do Templo; assim, a cada ano vinha sendo privado de 75% de seus bens. Quem faz essa pergunta a Jesus sabe que ele já se expressou muitas vezes em defesa dos mais pobres, mas quer colocar o mestre em direto conflito com a autoridade.
Mais para frente, a carta aos Romanos dirá “Dêem a cada um o que lhe é devido: o imposto e a taxa, a quem vocês devem imposto e taxa (...)” (Rm 13,7).
Também para a igreja hoje é muito importante a responsabilidade e honestidade na hora de pagar as taxas (a sonegação é uma das maiores ameaças à distribuição igualitária dos bens e dos lucros!).
Ao mesmo tempo, há vários cristãos no mundo que já foram presos por ter aplicado a “objeção fiscal”: se o Estado usa dinheiro público para fabricar armas ou promover guerras, eles boicotam o governo e não pagam aquela parcela de taxas.
A relação com o dinheiro, como bem se vê, é a melhor forma de verificar a honestidade de consciência de uma pessoa e os valores profundos em que acredita.

Na moeda romana da época de Jesus estava escrito “Divus Augustus” (“o imperador é deus”). Isso soava como uma blasfêmia ao judeu piedoso, que nem ousava tocar no dinheiro. Era um escândalo usar a imagem do imperador em substituição àquela de Deus (esse deveria ser nossa real indignação, hoje, quando falamos do repúdio das imagens para a fé cristã autêntica!).
Mas também em todas as notas brasileiras, hoje, está escrito “Deus seja louvado”... Deus, que nem queria um templo para morar, encontra-se estampado e preso, hoje, em nosso dinheiro! Refém do uso iníquo e da acumulação que o dinheiro representa: a doutrina social da igreja reconhece que hoje “o fim do dinheiro é ele mesmo”.
Jesus nos lembra que cada pessoa é imagem de Deus e vive para Ele. Ao contrário, o dinheiro traz em si uma imagem deturpada de Deus e molda uma sociedade a imagem e semelhança do capital, voltada só a multiplicar o proveito e abandonar os mais pobres.
Por isso Jesus diz com veemência: “Ou Deus ou o dinheiro!”. Na logica do dinheiro tudo é pago (“é permitido pagar os impostos?”); na logica de Deus, tudo é devolvido (“devolvam a Deus o que é de Deus”): não somos donos das coisas e da vida, existimos para restituir a Deus o que ele nos dá a cada dia.

Aqui no Maranhão (bem como em vários outros estados do País) há organizações que acataram a provocação de Jesus e criaram... uma nova moeda e uma nova economia, a imagem de Deus! É o caso das comunidades quilombolas de Alcântara, filiadas à Rede brasileira de bancos comunitários. Objetivo dessa “moeda social”, exclusivamente de uso local, é fazer com que o dinheiro circule dentro da própria comunidade, estimular créditos e investimentos internos e o utilizo do dinheiro a serviço da população regional.
Os grandes investimentos financeiros de hoje tornaram flutuante não somente a moeda, mas também as famílias que precisam investir em seu futuro. É urgente devolver confiança e estabilidade às pessoas através de uma economia a imagem de Deus, onde a distribuição das oportunidades seja a chave de desenvolvimento para todos e todas!

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