Vida e Missão neste chão

Uma vida em Açailândia (MA), agora itinerante por todo o Brasil...
Tentando assumir os desafios e os sonhos das pessoas e da natureza que geme nas dores de um parto. Esse blog para partilhar a caminhada e levantar perguntas: o que significa missão hoje? Onde mora Deus?
Vamos dialogar sobre isso. Forte abraço!
E-mail: padredario@gmail.com; Twitter:
@dariocombo; Foto: Marcelo Cruz

sabato 8 gennaio 2011

Um novo Deus para um novo ano

Vivemos tempos de morte e de medo em Açailândia. Nossa cidade parece atravessar, nesses meses, um de seus períodos mais críticos. Dezenas de postos de saúde estão fechados, profissionais da saúde foram demitidos ou fugiram por falta de pagamento. A violência cresce assustadoramente nas ruas. O desemprego, a insegurança e a incerteza do futuro ameaçam sãos e doentes...

Em contextos diferentes, o nome de Deus foi invocado em vão por pessoas de duvidosa fé. Recentemente, na Câmara Municipal, a população denunciava que “A saúde está na UTI” e uma vereadora tentou acalmar a multidão afirmando: “Deus vai resolver o problema de cada um de vocês”. Apelar para Deus quando as pessoas se omitem em cumprir com seus deveres é nomear o nome dEle em vão!

Na Assembleia Legislativa do Maranhão, para conformar os metalúrgicos demitidos e prometer que com novas minas tudo vai se resolver, o presidente do sindicato patronal disse que “Deus é maranhense e colocou minério em nossas terras”. Um secretário de estado acrescentou “Vamos pedir a Deus que dias melhores venham para o Maranhão”.

Acreditar ou vender a idéia de que Nosso Senhor chega para solucionar, como por um passe de mágica, todos os problemas que nós mesmos criamos, é algo escandaloso e revoltante. Utilizar o nome de Deus para conformar pessoas injustiçadas é pecado mortal. Deus, de fato, não pode ser manipulado e utilizado para justificar interesses pessoais ou de grupo, pisando na dignidade dos próprios irmãos e irmãs.

Já conhecemos esse filme. Na história, muitos ditadores têm utilizado o nome de Deus para poder impor com mais força a sua própria vontade. Chegou a hora de dar um basta a essas hipocrisias.

O novo ano que se abre seja tempo para falar menos de Deus e começar a agir, praticando o que Ele nos ensinou.

Temos vários desafios nos esperando. A Campanha da Fraternidade de 2011 é um grito de alarme contra as mudanças climáticas: de que adianta dizermo-nos cristãos, se nem sabemos cuidar da Terra, presente de Deus para todas as suas criaturas?!

Em setembro de 2011, Açailândia irá receber milhares de romeiros que visitarão Piquiá em ocasião da Romaria da Terra e das Águas. A igreja do Maranhão busca caminhos de vida no respeito da criação e das comunidades.

“Deus-conosco”, Emanuel, caminha com seu povo em busca dessa vida! Feliz 2011!

lunedì 13 dicembre 2010

O que era da Amazônia, o que será do Natal...

A gente vive numa das muitas “áreas de sacrifício” do dito desenvolvimento. Trata-se de dobraduras escondidas, onde o progresso acumula seus impactos menos elegantes...
Podem ser lixões, favelas que explodem por conta do êxodo rural em massa, bairros poluídos encostados nas usinas, onde máquinas e pessoas competem pelo acesso à água e ao ar...

Sabemos e sentimos que é esse o lugar dos missionários, enviados no meio dos pobres para fazer experiência e dar eco às contradições da história. Deus nasce menino, às periferias do Império romano, e renasce pequeno às margens desse ‘des-envolvimento’ desenfreado.
Deus pequeno, isto é, preocupado para com os ritmos lentos e resistentes de nossa gente: as famílias camponesas, as mulheres que coletam e trabalham os frutos da floresta, os pequenos produtores que a cada dia vendem suas mercadorias... esses são os pastores de hoje, aos quais é dada a boa-nova: uma criança nasceu PARA VOCÊS!

A igreja no Brasil, apesar de muitos limites, compreendeu o segredo do Natal que a cada ano se repete. Por isso, não põe o acento somente num nascimento especial, mas pela CF que está por vir aponta a todo o processo de criação que Deus colocou em nossas mãos e que Jesus nos desafia a renovar.

Enquanto o ‘des-envolvimento’ corre sem freios pelas linhas verticais da extração e exportação de recursos, a vida continua em círculos concêntricos e redes horizontais de relações, garantidas pelas comunidades em seus territórios e individualidades.
Celebrar o Natal, assim, significa acreditar teimosamente que Deus nasce onde ninguém sabe, longe dos holofotes e grandes projetos, nas comunidades ameaçadas pela concentração de terra, nas cooperativas que tentam reinventar a pequena produção, nas escolas-famílias agrícolas, nas festas populares de bairro ou na celebração anual da colheita.

A nova criação já começou, precisamos defendê-la e espalhar suas sementes em todos os campos. Nunca como hoje se faz necessário renascer do alto... para o baixo.

mercoledì 24 novembre 2010

A crise siderúrgica: fato ou boato?

É fato a demissão de 400 pais de família pelas siderúrgicas da Queiróz-Galvão em Açailândia. É fato o fechamento de 8 dos 15 fornos dessas e outras gusarias. É fato o desemprego para cerca de 5.000 pessoas no ciclo de produção do carvão vegetal na região tocantina.

A deputada Helena Heluy, em audiência pública dia 23 de novembro na Assembléia Legislativa do Maranhão, disse que essa é uma questão de direitos humanos, trabalhistas e ambientais.

Com a presença de cinqüenta delegados de Açailândia, reuniram-se em debate autoridades políticas, sindicatos dos trabalhadores e patronais, entidades e movimentos de base.
Apareceram, assim, também os boatos: mais do que falência das empresas, trata-se de uma suspensão das operações devido a pouca margem de lucro. No momento em que não convém mais produzir, é fácil para a maior parte das gusarias demitir ou reduzir a jornada de trabalho, diminuindo contemporaneamente o número de pessoas para cada turno: confirma-se a política de ‘sugar’ os trabalhadores até que sirvam, para abandoná-los quando for mais conveniente.

A Vale, grande responsável dos impactos do ciclo de mineração e siderurgia também pelo que se refere aos conflitos trabalhistas, nem apareceu à audiência pública, confirmando seu costume de se dizer aberta ao diálogo com as comunidades, mas se ausentar nas horas mais importantes. “Audiências como essa deveriam ter um mandato obrigatório de comparecimento”, desabafou o presidente do sindicato dos metalúrgicos de Açailândia.

Outro grande ausente, fortemente criticado ao longo da audiência toda, foi o prefeito de Açailândia. O sindicato dos metalúrgicos da cidade conseguiu ao longo dos últimos meses conversar com o Presidente do Senado, a Governadora do Estado, membros da Assembléia Legislativa do Maranhão e Secretários de Governo, mas nunca (apesar de quatro ofícios enviados) com o prefeito de seu próprio Município!

Para enfrentar a política econômica das empresas e corrigi-la conforme o direito à vida do povo, é essencial o papel da política de governo federal, estadual e municipal. Preocupou-nos, nesse sentido, o vazio dos discursos dos secretários de Estado durante a sessão, bem como a ausência do deputado federal açailandense recém eleito.

A audiência reconheceu que Açailândia é símbolo do que está acontecendo no Maranhão todo: ao longo de trinta anos de investimentos em grandes projetos, favoreceu-se a concentração de renda, aumentou o PIB per capita, mas a distribuição de renda foi péssima e não garantiu a dignidade do povo maranhense. “O grande desafio não é amenizar mais uma crise, aguardando a próxima: temos nas mãos a possibilidade de reinventar o modelo de vida e sustentação do Maranhão”, comentou o advogado Guilherme Zagallo.

Há sem dúvidas alguns avanços, como o esforço de verticalização da produção, do ferro até o aço, pela siderúrgica Gusa Nordeste. O presidente do sindicato patronal apontou a essa aciaria e ao comércio de gusa com a China como solução para todos os problemas do desemprego local, garantindo que daqui em diante não haverá mais nenhuma pessoa despedida.

Mas esses avanços e garantias (mesmo assim duvidosas, ao dizer do sindicato dos metalúrgicos) não apagam o passivo sócio-ambiental da Vale e das siderúrgicas na região: os movimentos sociais apontaram mais uma vez às responsabilidades por desmatamento e poluição.

O caso de Piquiá de Baixo, bairro pré-existente às gusarias e agora cercado pelos empreendimentos altamente poluentes, foi também destaque da audiência pública. Repetidas vezes foi reconhecido que é uma vergonha deixar ainda 350 famílias nessas condições de precariedade. Urge o reassentamento de Piquiá de Baixo, área de sacrifício do povo no altar do desenvolvimento sem controle.

Como justificar, de um lado, subsídios de dinheiro público tão pesados na construção da aciaria e, do outro lado, a lentidão do poder executivo e das empresas em garantir o direito à vida da comunidade de Piquiá de Baixo?

A audiência pública levantou perguntas e discussões ao longo de cinco intensas horas de debate. Entre os muitos encaminhamentos, destacamos a urgência de soluções de curto prazo através de uma pactuação convocada pelo sindicato dos metalúrgicos com todas as partes envolvidas.

Em longo prazo, torna-se necessária a reflexão e articulação política a respeito de um Fundo de Desenvolvimento e Amparo aos Trabalhadores. Constituído por contribuições obrigatórias, proporcionais aos lucros da Vale e das siderúrgicas, relançaria novos investimentos que garantam a pluralidade das vocações produtivas de Açailândia e do Maranhão (pequena empresa, agricultura familiar, incentivos ao reflorestamento, capacitação profissional, etc.)

São Luís, 23 de novembro 2010
Notas e reflexões sobre a Audiência Pública “Açailândia pode parar”, por pe. Dário Bossi – Paróquia São João Batista, Açailândia (haverá um relato completo e oficial da audiência, emitido pela própria Assembleia Legislativa)

venerdì 29 ottobre 2010

Vale morrer?

Outubro de 2010. A Vale celebra um lucro histórico: mais de 10 bilhões somente num trimestre.
Nos mesmos dias, morre debaixo das rodas do trem da Vale mais um homem.
Com os seus 74 anos, Joaquim Madeira viu seu filho morrer atropelado pelos vagões carregados de minério e recebeu a mesma condenação, oito anos depois.

Corre, o trem da Vale, sem conhecer obstáculos e sem dar-se conta das vítimas que provoca.
A revolta do povo é grande e em vários casos se faz ação: os moradores do assentamento Palmares, em Parauapebas, gritam contra a morte do companheiro Joaquim e bloqueiam a ferrovia.

Já tinha acontecido em 2007, aproximadamente por um mês: a ferrovia bloqueada deu um prejuízo grande para a empresa, se calculamos que o valor bruto do ferro transportado a cada dia corresponde pelo menos a 20 milhões de reais!
Há perdas e perdas, mas o que não pode acontecer é a interrupção do mercado do ferro, especialmente agora que a Vale aumentou de 253% sua produção.

Outros gritos denunciam: as minas estão estragando nossos povoados (os moradores de Parauapebas bloquearam nesse mês de outubro a estrada de acesso ao projeto de mineração Salobo); a duplicação dos trilhos está devastando Áreas de Preservação Permanente (o Ministério Público Federal entrou com uma ação civil pública a respeito); nossas crianças devem passar debaixo do trem que pára na cidade, para ir até a escola (o padre Denys de Alto Alegre do Pindaré pede com urgência mais uma passarela acima dos trilhos).

A campanha Justiça nos Trilhos apresentou em março de 2010 uma representação contra a gigante da mineração a respeito dos atropelamentos de pessoas ao longo da linha de ferro: “a cada mês uma pessoa, em média, morra atropelada pelos trens operados pela Vale”.

Apesar disso e de muitos outros impactos, a empresa pretende duplicar até 2015 o sistema inteiro (mina, ferrovia e porto): até hoje correm nos trilhos durante um ano 100 milhões de toneladas de minério, a meta nesses poucos anos é chegar a 230 milhões.

Vale a pena morrer ou sofrer em nome do progresso? Quantos atropelamentos, de todos os tipos, deveremos ainda aceitar, antes de exigir um limite a essa fome de ferro e dinheiro?!

venerdì 15 ottobre 2010

A oração e a justiça

Algumas regiões de nosso nordeste ainda são consideradas “o faroeste das fronteiras da lei”. Ainda há promotores de justiça ausentes das comarcas ou distantes da vida do povo, juízes sobrecarregados de trabalho e em vários casos comprometidos com o poder econômico e político, impunidade e medo pela violência e corrupção da própria polícia.

A Palavra de Deus que nesse domingo vai ressoar em nossas comunidades (Lc 18,1-8) é um retrato dessa história. Por que a justiça demora a acontecer? Por que Deus permite que os mais expertos e arrogantes continuem pisando em cima dos pequenos?!
Com muita probabilidade, são as mesmas perguntas que o próprio Jesus se fazia, nas últimas etapas de sua vida, já pressentindo a condenação à morte.

Jesus, então, responde a si mesmo e a todos nós quando estivermos atormentados por essa pergunta: “Quando será que Deus vai fazer justiça? Estamos errando alguma coisa? Onde?”

A resposta tem a ver com a oração: parece esconder-se ali o segredo da resistência, da esperança (fruto da raiz do verbo “esperar”).

O conto da viúva e do juiz iníquo chega à conclusão de que os amados por Deus clamam dia e noite por justiça... e o Pai os escuta.

Portanto, a primeira indicação sobre a oração que dá esperança é aprender de Deus: prestarmos ouvido ao clamor dos pequenos. No meio de muitos barulhos que distraem nossa tensão e desanimam nossa busca, a sugestão é afinarmos os ouvidos parta escutar o que Deus escuta. Quem reza presta atenção à vida dos outros... e somente isso já anima e alimenta a luta, pois abre os horizontes da pessoa orante aos desejos e expectativas de vida de muita gente.

Em segundo lugar, oração é insistência, teimosia, obstinação. Lutar para que justiça aconteça. Às vezes, parece de estar lutando até contra Deus, tão enraizada está a injustiça no destino e no pensamento resignado ou cínico das pessoas!

Como um pobre, saindo a cada dia de casa, estica as mãos da esmola sem vergonha nem medida, impelido pela fome ou pela necessidade de alimentar sua família, assim também deveria ser nossa fome de justiça. E essa tensão, esse desejo insatisfeito que nos acorda a cada dia, também é oração.

sabato 2 ottobre 2010

Erros e acertos no corredor de Carajás

Nossas casas estão construídas numa área onde o progresso está querendo chegar com tudo. Erramos, desculpem, não queríamos tirar espaço às empresas. Digam-nos quando é que precisam de nossa terra e a gente vá embora...
A ferrovia do desenvolvimento atravessa nossos povoados escoando minério para vender no exterior e fazer crescer nosso Brasil. Às vezes a gente atravessa os trilhos e alguém de nós fica sendo atropelado pelo trem. Erramos, desculpem, não queríamos atrasar os negócios.
De vez em quando, alguém de nós pergunta-se se é justo que o lucro fique acima da vida e da dignidade. Erramos, desculpem, não queríamos dar a impressão de um discurso anticapitalista: afinal precisamos de trabalho, a qualquer condição.

Muita gente chama à atenção por causa desses nossos erros. Chegamos ao limite de pensar que nós mesmos somos errados e que nossa maior falha, afinal, seja existir.

Na verdade, conversando entre nós, damo-nos conta de que alguns erros a gente tem feito sim: levantamos a voz tarde demais, mas ainda há tempo de fazer valer nossas razões. Às vezes na luta cansamos, pois os resultados demoram, mas ainda há garra. Custamos a unir nossas resistências ao longo dos trilhos do desenvolvimento, mas a rede está se fortalecendo.

Os primeiros acertos começam a aparecer: no Piquiá de Baixo (MA), após anos de protesto silenciado, nossas trezentos famílias estão reunindo empresas, instituições, mídia e administração pública para negociar um tratamento digno às vítimas do progresso e da poluição.
Em Ourilândia (PA) a pauta de negociação entre movimentos sociais, Vale e INCRA avançou muito, criando precedentes interessantes para defender os direitos dos assentados, garantir indenizações dignas e condições para recomeçar a vida, apesar dos impactos das empresas.

Podemos errar, mas nunca somos errados, quando clamamos que esse bendito desenvolvimento (na boca de todos agora que precisam de votos) não atropele nossas vidas!

sabato 4 settembre 2010

Pobre Açailândia Rica: quem quiser que Veja!

Mais de 18 mil reais é a renda per capita de nossa cidade. Estamos entre as 23 cidades médias do Brasil que uma famosa revista nacional destacou como campeãs de crescimento econômico.
Senhores e senhoras, venham a Açailândia, profundo interior do Maranhão! O futuro, dizem, passa por aqui.
É verdade, temos um histórico “predatório”, de “desmatamento e contrabando, cinza e poeirão”, como lembra a revista.
Mas as empresas siderúrgicas, ressalta a reportagem, trouxeram desenvolvimento e riqueza.

Se isso é verdade ou não, tudo vai depender do ponto de vista. Para todo artigo que recomenda, há sempre alguém que encomenda: o lucro, sabe-se bem, vem através da propaganda.
Vamos pelo menos tentar mostrar outros lados da mesma cidade: nesse Maranhão de migrantes, trabalho instável e mutação contínua, dominado por uma das oligarquias mais longevas do país, não queremos que ninguém se surpreenda chegando e encontrando algo distinto daquilo que foi dito...

É com orgulho que falamos de nossa cidade e de suas lutas para afirmar a justiça, defender a vida, proteger o meio ambiente.
Há em nossa cidade sonhadores e construtores de paz. Mas a economia e os governantes locais, em sua grande maioria, ainda não estão entre eles.
É só olhar aquilo que está acontecendo nessas semanas: o sindicato dos metalúrgicos levantando o protesto contra demissões de massa (centenas de pessoas cortadas do emprego siderúrgico e da cadeia de produção de carvão).

A ONG Justiça Global pesquisando a respeito das consequências dos empreendimentos industriais sem filtros, sobre a saúde das comunidades.
A Federação Internacional dos Direitos Humanos visitando Açailândia para verificar “o potencial impacto contra os direitos humanos causados pela mineração no estado do Maranhão”.
A Defensoria Pública que finalmente se instala na cidade, recebendo desde o primeiro dia denúncias a respeito de elevados índices de mortalidade infantil, desrespeito aos doentes na fila dia e noite para um crachá de consulta, condições de moradia precárias e perigosas.
O bem público da água sendo privatizado, através de uma companhia ‘nepotizada’ pelo prefeito e que lucra injustamente em cima dos pobres.
O esgoto dos ricos e dos pobres correndo e se misturando pelas ruas da cidade, a céu aberto.

Essa também é uma face de Açailândia. "Centro urbano com elevada desigualdade e pobreza", pelas categorias do Ministério das Cidades (2009).
Não é justo, por interesse de poucos, esconder parte da verdade. A pergunta que ressoa há décadas na boca do povo é sempre a mesma: “Progresso para quê e para quem?”

Dia 14 de setembro em Açailândia uma importante audiência pública começará a buscar respostas, tratando do deslocamento do povoado de Piquiá e Baixo, do direito das pessoas viverem longe da poluição, do dever das empresas garantirem trabalho, saúde, dignidade.
No mesmo dia os movimentos sociais estarão também na Assembléia Legislativa do Maranhão, clamando por direitos trabalhistas, defesa dos demitidos e desempregados, garantias de longo prazo para quem “se ficha” na cadeia minero-siderúrgica.

Essa é a Açailândia em que acreditamos.
Desenvolvimento e empreendimentos? Sim, mas com respeito ao povo e ao meio ambiente!
Crescimento e progresso? Sim, mas de todos e para todos, com acesso a saúde, educação e moradia dignas de uma cidade que queira ser destaque nacional!